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Arquitetura Inclusiva: Entenda sua importância em espaços corporativos

1. Introdução

A arquitetura é a área que se dedica à relação do homem com o espaço por meio da elaboração de análises, técnicas e projetos. As intervenções arquitetônicas são geralmente desenvolvidas para otimizar a experiência da vida humana, que sempre se insere dentro de um espaço. 

Basta pensar em qualquer atividade do nosso cotidiano e nos diversos pontos de contato com a arquitetura:

  • trabalhamos em mesas e cadeiras, cuja altura e estabilidade influenciam na execução das tarefas;
  • esses móveis estão inseridos dentro de cômodos e edifícios. A temperatura, os sons, a iluminação e a mobilidade dentro deles determina o uso pelas pessoas;
  • a locomoção até as construções depende do espaço que os circunda, seja na cidade seja no campo. 

Neste e-book, falaremos sobre a arquitetura inclusiva, uma prática que objetiva concretizar os benefícios arquitetônicos para todos os grupos de pessoas. Acompanhe!

2. O que é a arquitetura inclusiva e qual sua importância?

A arquitetura influencia todas as atividades humanas, desde o trabalho até o lazer. Assim, melhorar a experiência espacial das pessoas significa potencializar dimensões físicas e psíquicas, como:

  • acesso, que é a possibilidade de usar um espaço e é o fundamento de todas as competências abaixo. Afinal, sem acesso, não há uso;
  • mobilidade (locomoção segura nos ambientes);
  • funcionalidade (uso instrumental do espaço para a execução de tarefas e atividades);
  • funções cognitivas (como atenção, memória, orientação, aprendizado);
  • sensações (tato, olfato, paladar, visão e audição);
  • afetos (como pertencimento e inclusão em comunidade) ;
  • emoções (conforto e prazer). 

Nesse sentido, a arquitetura pode eliminar/criar barreiras para o acesso e o aproveitamento dos mais espaços pelas pessoas. Afinal, a arquitetura tradicional geralmente tem um foco excessivo em um modelo geral de pessoas, o que não abrange a grande diversidade de pessoas. 

A arquitetura inclusiva é um conjunto de princípios e práticas para o desenvolvimento de projetos que minimizem as barreiras espaciais. Seu grande objetivo é oferecer maior equidade, permitindo que as pessoas desenvolvam seu máximo potencial dentro dos mais diversos espaços. Então, o alicerce da arquitetura inclusiva é:

  • pensar quais grupos teriam uma maior dificuldade em acessar e/ou usar um espaço;
  • criar e implementar soluções para reduzir, ao máximo, as barreiras que eles poderiam enfrentar.

2.1. Homem-padrão e arquitetura tradicional

Por muito tempo, a arquitetura focou no desenvolvimento de projetos para o homem-médio. Em outras palavras, aqueles que reuniam as características mais comuns na sociedade, que são representadas por pessoas:

  • sem deficiência física ou mental;
  • com idade inferior a 65 anos;
  • heterossexuais;
  • cisgêneros (pessoas que não são trans);
  • com pele clara.

Entretanto, nos últimos anos, as pessoas vêm tomando cada vez mais consciência da diversidade humana. A dignidade da pessoa humana tem um papel central na sociedade, que compartilha o ideal de permitir que todas as pessoas possam se realizar com plenitude. Então, a inclusão envolve olhar para quem pode ser excluído do acesso e uso em ambientes pensados exclusivamente nesse modelo de homem-médio.

Com isso, os olhares rapidamente se voltaram para a arquitetura, que é a grande responsável por desenhar a experiência dos indivíduos no espaço. Isso inclui os mais diversas áreas da arquitetura, como:

  • o urbanismo, que cuida da influência do meio urbano na vida dos cidadãos;
  • a arquitetura estrutural, a qual enfoca nos aspectos construtivos de casas, apartamentos residenciais, prédios comerciais e outros tipos de edificação;
  • o paisagismo, o qual envolve a aplicação de elementos naturais para a melhoria estética e funcional; 
  • o design de interiores, que é o uso estratégico de mobiliários e acessórios para oferecer conforto e funcionalidade aos ambientes.

2.2. A arquitetura inclusiva e as pessoas com deficiência

Inicialmente, a arquitetura inclusiva foi desenvolvida para promover uma maior integração das pessoas com deficiência física. Devido a limitações na locomoção ou em algum dos sentidos físicos, elas podem sofrer com barreiras significativas ao acesso e uso dos espaços.

Por exemplo, as construções não foram pensadas para pessoas com restrição à mobilidade. Com isso, elas podem sofrer dificuldade devido ao nivelamento e aos ângulos dos elementos de um edifício, os quais podem causar acidentes ou impedir a sua circulação. Pessoas com deficiência visual, por sua vez, podem sofrer colisões com A objetos ou ter dificuldade para se orientar no espaço urbano. 

Tendo isso em vista, foram criadas diversas leis e regulamentações para a promoção de ambientes inclusivos, como:

Em muitos sentidos, as pessoas idosas passam por limitações muito semelhantes às dos deficientes físicos. O envelhecimento pode trazer restrição da mobilidade e a redução da funcionalidade dos sentidos físicos. Por esse motivo, o Estatuto do Idoso LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003 estabelece que eles também têm direito à eliminação das barreiras arquitetônicas e urbanísticas. 

3. Qual a importância da arquitetura inclusiva?

A arquitetura inclusiva não deve ser vista como uma obrigação legal. Ela é um dos princípios mais importantes para o planejamento e o desenvolvimento de intervenções arquitetônicas. Ela é a democratização do grande potencial que as nossas intervenções têm de melhorar a experiência espacial de todas as pessoas, — de auxiliar todas as pessoas a explorar seu potencial pleno e a viver com bem-estar.

3.1. Desenho universal

Uma definição muito utilizada para definir o design universal foi desenvolvida pela professora Silvana Cambiaghi no livro Desenho Universal:

A meta é que qualquer ambiente ou produto seja alcançado, manipulado e usado, independentemente do tamanho do corpo do indivíduo, de sua postura ou mobilidade.

O desenho universal é outro princípio basilar para a arquitetura inclusiva. Ele prevê que toda a intervenção arquitetônica deve buscar o acesso e o uso pleno por qualquer pessoa (considerando todas as individualidades).

No entanto, uma visão mais contemporânea deve ir além da inclusão tradicional, que foca apenas nos aspectos corporais. 

Somente a garantia da capacidade de acesso e de uso não é suficiente para uma arquitetura mais inclusiva. A arquitetura precisa considerar outros domínios da experiência humana com o espaço, como conforto, o pertencimento comunitário e a dimensão afetiva também devem estar.

Portanto, esse esforço deve ser dedicado nos mais diversos momentos de um projeto:

  • design das peças de mobília e decoração;
  • especificações construtivas;
  • disposição dos mobiliários no espaço construtivo.

4. Quais os principais desafios da arquitetura inclusiva?

O principal desafio é pensar a arquitetura inclusiva para além dos paradigmas tradicionais, que focam apenas nas pessoas com deficiência e nos idosos. Nesse sentido, é muito importante perceber que a arquitetura inclusiva apresenta várias camadas. Portanto, o projetista também precisará pensar em como o espaço pode trazer a exclusão ou a inclusão dos mais diversos grupos, como:

  • pessoas LGBTQIA+, que, por exemplo, podem se sentir excluídas em um ambiente que enfatiza o modelo de casal homem cisgênero;
  • pessoas negras, que podem se sentir mal representadas em um ambiente com excesso de imagens sem diversidade racial e com ênfase em pessoas brancas;
  • indivíduos com deficiência mental, os quais podem ter dificuldade de compreender determinadas informações mais complexas, entre outros pontos;
  • mulheres, que podem se sentir desconfortáveis com visões reducionistas de papel de gênero. Nesse sentido, a compreensão deve abranger que não existe uma cor para cada sexo. Então, não necessariamente um espaço para mulheres precisa ser predominantemente rosa.

Essa lista pode incluir muitos outros grupos, sendo muito importante observar a diversidade/inclusão no momento da avaliação de um projeto. 

5. Como projetar um ambiente corporativo mais inclusivo?

Veja algumas dicas essenciais para um projeto arquitetônico inclusivo.

5.1. Atente-se ao contexto de cada projeto

Lembre-se que a arquitetura é sempre contextual e está vinculada à função de cada intervenção. Então, o primeiro passo é compreender pontos, como:

  • o objetivo do seu cliente com o projeto;
  • o público que utilizará o espaço;
  • as características da comunidade local.

Assim, podemos pensar no perfil de quem se relacionará com esse espaço e identificar eventuais barreiras que populações diversas poderiam enfrentar. Nesse sentido, é interessante ter um framework para garantir a inclusão do máximo de grupos, tendo em vista:

  1. capacidade física;
  2. orientação sexual;
  3. identidade de gênero;
  4. idade;
  5. sexo;
  6. etnia;
  7. religião;
  8. cultura;
  9. escolaridade. 

Veja como esses pontos podem ser aplicados contextualmente:

  • em um restaurante pensado para encontros de casais, pensar na inclusão da população LGBTQIA+ é muito importante;
  • em uma clínica geriátrica, o foco na mobilidade de idosos é fundamental;
  • em espaços públicos que circulam públicos de todos os tipos, a inclusão deve buscar a não-exclusão de nenhum grupo. 

Atente-se que uma mesma ação pode ser inclusiva em um projeto e excludente, em outro. 

Mesmo assim, em praticamente todos os contextos, é preciso se atentar especialmente à inclusão de indivíduos com deficiência e aos idosos. Afinal, são condições que apresentam uma transversalidade com os demais grupos diversos. 

Ademais, a lei brasileira (por meio do Estatuto do Deficiente e do Idoso) prevê que os espaços coletivos e públicos devem ser projetados para minimizar as barreiras que impedem a acessibilidade deles.

5.2. Siga algumas práticas universais de acessibilidade a pessoas com deficiência

Veja, a seguir, algumas práticas inclusivas que facilitam o acesso a pessoas com os mais diferentes tipos de deficiência física!

Pessoas em cadeira de rodas ou de baixa estatura:

  • maçanetas, interruptores e tomadas em um nível mais baixo;
  • disposição de placas informativa que fiquem à altura dos olhos delas;
  • uso de mesas e cadeiras com maior amplitude de ajustes. 

Pessoas com dificuldade de locomoção:

  • portas com maior abertura;
  • instalação de rampas e elevadores;
  • piso antiderrapante;
  • barras de apoio em banheiros;
  • áreas de circulação amplas e com o mínimo de obstáculos;
  • mesas com altura adequada para pessoas que usam cadeira de rodas.

Pessoas com dificuldade visual:

  • sinalização tátil em pisos e escadas;
  • disposição simples e padronizada do mobiliário em todos os espaços;
  • instalação de informações em placas em braille (em elevadores, interfones, portarias, entre outros locais);
  • espaços para cães guia;
  • mesas e cadeiras com bordas arredondadas.

Pessoas com deficiência auditiva:

  • disponibilização de placas com informações visuais.

5.3. Amplie o escopo da inclusão

Normalmente, há um foco exclusivo no acesso e na funcionalidade dentro dos projetos inclusivos. Contudo, diferencie-se e vá além!

Por exemplo, frequentemente, são usadas imagens de pessoas na decoração corporativa. Sempre que inserir esse tipo de elemento, verique se a peça representa pessoas diversas em relação à capacidade física, cor, sexo, identidade de gênero, entre outros pontos.

Infelizmente, o mercado de mobiliário inclusivo é restrito. Devido a isso, os projetos corporativos inclusivos podem ter dificuldade em sair da estética de “escritório tradicional”.

Por isso, se deseja criar intervenções com identidade, não se conforme com “mais do mesmo”. Busque soluções que, além de funcionais para todos os corpos e mentes, sejam belas e confortáveis. A verdadeira inclusão atinge todas as qualidades valorizadas pelas pessoas.

5.4. Revise seu projeto com outras pessoas

A inclusão é um exercício de diversidade. Portanto, a análise do projeto por várias pessoas garante uma riqueza de pontos de vista. Por exemplo, devido a uma vivência individual, algum colega pode ter uma melhor visão sobre os desafios de deficientes visuais, enquanto outros têm um olhar mais aguçado para pessoas transexuais.

Além disso, sempre que possível, converse com as pessoas que enfrentam situações de exclusão. Afinal, são elas que sofrem o impacto das barreiras arquitetônicas.

5.5. Tenha bons fornecedores

Uma das maiores dificuldades para o desenvolvimento de projetos inclusivos é a carência de bons fornecedores. A maior parte das empresas de mobiliário ainda elabora designs que têm o homem-médio como base. Ou seja, não há uma preocupação com o desenho universal no desenvolvimento de um modelo.

Além disso, não diversificam a produção para incluir peças para atender necessidades especiais, tendo em vista as diversas características biofísicas. Com isso, o mobiliário inclusivo se tornou um nicho no mercado em vez de uma prática disseminada.

Nesse sentido, é fundamental procurar um fornecedor que tenha essa preocupação, desenvolvendo peças não só inclusivas e funcionais, mas também confortáveis, bonitas, elegantes e inovadoras. 

6. Conclusão

A arquitetura inclusiva para pessoas com deficiência e idosos é fundamental no ambiente corporativo. Além de uma medida de cuidado e empatia, é uma exigência legal. Caso um colaborador enfrente dificuldades, ele tem direito a requisitar a adaptação do ambiente. 

Então, a elaboração de um projeto inclusivo (desde o princípio) traz um custo-benefício muito maior para os seus clientes. Os gastos com a adaptação tendem a ser mais elevados. 

Hoje em dia, a inclusão e a diversidade são um valor muito importante para a sociedade, em especial para as gerações mais jovens. Há uma demanda comercial por empresas que buscam a inclusão dos mais diversos grupos. Assim, há ganhos importantes para o reconhecimento da marca no público-alvo desejado. 

Além disso, os colaboradores tendem a ser mais inovadores e produtivos em ambientes diversos/inclusivos. Da mesma forma, os melhores talentos buscados pelo mercado tendem a buscar empregadores que prezam por esses valores.

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